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29 de abril de 2009

Rebel everyone, please!!!

Com o aumento dos preços do petróleo a atingir recordes, 2008 será recordado como o ano em que o mundo "civilizado" começou a sentir a pressão de um sistema viciado num recurso limitado e em extinção, pelo menos em termos de viabilidade vs profit.
Com organizações poderosas como o FMI a desencadearem guerras para segurar os poços mais acessíveis, a humanidade reviu-se na inevitável revelação da obscura dependência de tal recurso, doença que nos afecta a todos e da qual todos somos culpados de alimentar - essa que tornou possível a quadruplicação da população da terra nos últimos 100 anos!

Acordem para a vida amigos, eles bem começaram o novo ano em incríveis esforços de acalmia de ânimos e injecção de dinheiro irreal em todo o lado. Não se iludam, a factura tarda, mas não falha e será bem cara...
Querem eles que nos esqueçamos e que nos calemos... e vê-se o resultado - as massas seguem caladas e de cornos voltados para o chão...toca a encher os bolsos de ilusão porque o que importa é rir agora...que tristeza de existência...

Será que não vêem ou não querem ver?
A capacidade do ecossistema planetário foi forçada além dos seus limites e o Homo Sapiens enfrenta uma invisível adversidade evolucionária...
Ponderar a perspectiva de quase 7 biliões de pessoas a viver em equilibrio ecológico implica uma mudança radical, que infelizmente se demonstra utópica...
A verdade é só uma, a consciência terá de nascer num acordar individual...
Os que se decidirem a mudar e não só pensaremm numa possível mudança poderão ter alguma hipótese...
Estou farta de ver o mundo morrer...
Estou farta de ver os individuos infames e egoístas a sobreporem a sua ganância à beleza do simples existir.

Estou cansada...de não fazer nada para o contrariar... por mim venha a nova era Mad Max, venham eles que eu mordo-os a todos! LOLOL

Entretanto, cá me vou beliscando, certifico-me todos os dias das minhas opções e escolhas e apesar de não ter poder algum neste universo, posso orgulhar-me de não ser igual a eles.
Eu sou feliz, efémera e terráquea com Amor pela energia e matéria que me circunda!
Respeito-a e espero poder agarrá-la cada vez mais retrógradamente sem qualquer preconceito.

Eu, a parola de enxada na mão!
Cada vez mais preparada para me abstrair do ciclo consumista vicioso e cada vez menos preocupada com futilidades absurdas...
Quando menos se esperar, arranco em refúgio de mim mesma e dos que amo.
Sim, é possível! Acreditem e preparem-se!

Peace and Love aos que perceberem a mensagem!
E please - Não baixem as mãos - Rebel!

Incentivos precisam-se!!!!!!!!

7 de abril de 2009

Conclusões Inconclusivas

1. Constante
2. Controlo
3. Consciência
4. Noção
5. Diferença
6. Indignação
7. Realidade
8. História

1. Constante:
Crescimento interno, consequência inevitável das vivências felizes e das amarguradas e da junção de ambas por nós assimilada. Um todo, experiência em evolução perpétua, que se compreende em milhares de pequenas partes que despoletam diferentes sensações e reacções que, por vezes, nos apressamos a controlar em consciência de seu ímpeto variável; mas que, na maioria das ocasiões que nos preenchem a vida, não controlamos.

2. Controlo:
Consciente ou insconciente? Talvez se preencha de ambas as facetas, de acordo com as variáveis com as quais é confrontado. Ou talvez não seja jamais inconsciente e tal denominação se empregue com único objectivo de fuga à responsabilidade do acto, do momento e da consequência. É ou não é tão mais fácil justificar acções com insconciência? Mesmo essa se dota de opção nossa e não poderá esconder nunca o processo pelo qual optámos ao enveradá-la. Mesmo que o mundo não o perceba, nós sabemos ter optado por ela. Outra faceta interessante do Controlo é o acto de o doarmos a terceiros. Até que ponto o Controlo doado é, de facto, dos outros, se o oferecemos deliberadamente e em consciência do desenrolar?

3. Consciência:
Estado dúbio que nunca atestamos a 100%. A que guardamos para nós mesmos é a única dona da verdade. Mesmo que apelemos à sua insanidade em actos menos aceitáveis pela sociedade em que nos criámos e geramos, secretamente assume e acumula dados e resultados da equação das variáveis e acções. Agir em consciência é termos noção da sua existência e assumirmos os nossos actos como escolhas conscientes. Porque, na realidade, não existem escolhas inconscientes!

4. Noção:
Objectividade incutida pelas circundantes circunstâncias e sociedade em que nos é permitido evoluir. Não se trata de opção, bem pelo contrário, antes obrigatoriedade inerente à básica necessidade de sobrevivência e aceitação. A individualidade é aprisionada em nós mesmos e exteriorizada apenas em medida certa, deliberada permissão dos outros que nos permite avançar. A diferença existe em dimensão bem superior à que nos permitimos retratar, essa que se apresenta mais notória quando se comparam sociedades distintas e/ou distantes.

5. Diferença:
Salto de permissões, fruto de vivências distintas onde o mesmo ser em aparência de tipo humanóide se desenvolve e se permite desenvolver em auto-educação do aceitável e do correcto em determinada sociedade. Realidades que quando se confrontam não podem revelar maior índice de igualdades que de indiscutíveis diferenças. Tal diferença poderá causar impacto revelado em assumido acto de indignação.

6. Indignação:
Apesar de aparente acto de consciencialização assumida, reveste-se de nada mais que puro egoísmo e orgulho. Sentimento despoletado pela ignorância dos que não são capazes de ver nem assimilar a realidade que vislumbramos, mas que reflecte, igualmente e em direcção contrária, a nossa própria ignorância em não aceitação de diferentes realidades.

7. Realidade:
Sem dúvida, o que nos permitimos aceitar. Conjunto de escolhas, seleccionadas deliberadamente, com base em informação que incorporamos e catalogamos com fim específico e delineado por nada mais que o nosso próprio ego que alimentamos sem fim. Não existirão duas realidades idênticas, ou seja, dois seres que partilhem das mesmas noções em plenitude de semelhanças e opiniões, pois todas elas se revestem de causas e consequências definidas temporalmente, fisicamente, sociologicamente e em consciência da nossa própria história.

8. História:
Lembrança partilhada com determinado indivíduo interessado do processo percorrido, delineado e demarcado claramente pelo responsável compilador da mesma. Aclamá-la como fidedigna é acto irresponsávelmente arrogante, a não ser que todos os passos sejam catalogados e devidamente descritos. Se uma história individual relatada nos apresenta apenas vislumbre do que poderá ter sido o caminho percorrido de determinada personalidade, parece-me absurdamente inalcançãvel o relato fidedigno da história de um povo, muito menos da humanidade. Logo, mais uma vez, surge o acto de escolha e opção que empregamos na aceitação de factos e interpretação de factos pela qual optamos a nosso proveito.

6 de abril de 2009

Doidice de Gaja! lol

Provas Irrefutáveis de que o Amor no Feminino é nada mais que sintoma de Gaja Com Doença S.I.O. (Sentido Imensurável de Otária).

Qualquer prenúncio de tais sintomas deve ser imediatamente abafado com loucura desmedida que possa deitar por terra qualquer hipótese de sucesso de instalação da doença. No caso de corbardes, recomenda-se o isolamento total durante algumas horas após os momentos de frustração para que o resultado não se verifique a vermelho na cara do verme transmissor da doença. Respirar fundo e repensar prioridades deve ser sempre a primeira escolha para mulheres que se valorizem e não se revejam em novelas mexicanas.

Prova/ Sintoma nº1

Gaja em saída com Amiga

Verifica o telemóvel de 15 em 15 minutos para ver se existiu algum contacto da parte do Y que a contagiou. É quase sempre acto frustrado com resultados constantemente negativos, os quais verificados sucessivamente transformam o acto de verificação em acto vergonhoso.
A frustração é S.I.O.

VS

Gajo em saída com Amigo

(Retalhos de memória recuperados=) ...Olha uma gaja boa... vai mais uma bejeca... LOLOLOL... olha outra gaja boa... será que consigo conduzir?...LOLOL... cama...
Dia Seguinte: Olha tenho 5 mensagens e 3 chamadas não atendidas...Ops...

Recomenda-se a esta gaja em principio indiscutível de Otarismo:

- nunca ser a 1ª a enviar qualquer sms;

- verificar o telemóvel apenas de 2 em 2 horas, já que as hormonas não lhe permitem uma total cagatividade como se verifica tão descontraídamente nos homens e também porque tal alargamento do prazo só é possível com acentuado auto-controlo e sentida agonia interior...

Tal mulher deveria ser fuzilada de imediato, uma vez que nada há já a fazer quanto ao seu estado de Otarismo. Ainda não existe cura para tal mal e ouve-se dizer por aí que pode ser contagioso...

De qualquer forma, recomenda-se o auto-controlo e treino específico de contra-otarismo e iniciação ao T.A.O.-T.A.O. (Terrorismo Anti-Otarismo – Treino Anti-Otários)

Mais notícias em Breve
Ass. Sargenta T.A.O.-T.A.O.

9 de março de 2009

Networking!

Somos compilação de dados e memórias.

Processadores únicos e incomparáveis. Cada qual, a seu jeito, processa os dados acumulados e assimila ou rejeita experiências, qual máquina plena de beleza na sua autenticidade e exclusividade.

Todos coleccionamos. Catalogamos partilhas e dádivas mútuas em interpretação só nossa. São as catalogações similares que aproximam duas máquinas humanas, rasgos do acaso que unem duas mãos num processo de reconhecimento de compatibilidades e de caminhos paralelos que se verificam próximos sem explicação. Mesmo que ambas as máquinas tenham origem em fábricas diferentes, processem de formas antagónicas e registem experiências e factos em alturas diferentes e com importâncias diferentes, existem momentos de interacção que comprovam a compatibilidade inexplicável das duas.

Não é possível a integração de uma na outra nem o funcionamento de uma com base exclusiva no processamento da outra. As duas deverão continuar a processar individualmente, para que a partilha seja sempre genuína e aceite como processo interessante a analisar e considerar. Ainda assim, a interacção de duas máquinas não poderá nunca evitar a criação de uma memória comum, partilhada e processada por ambos.

Utópicamente, então, o ideal será juntar duas máquinas especializadas em diferentes áreas para que partilhem conhecimento, de forma a que ambas evoluam em uníssono. A assimilação de fragmentos de processos externos é factor incondicional, logo a abertura e ligação a uma rede externa e o contacto com o exterior torna-se imperativo.

Nunca a máquina será a mesma após assimilação de novo processo. Desfragmentação não é conceito meramente utópico, antes imprescindível e extremamente necessário, pelo que cada máquina deferá usufruir do seu próprio tempo individual. Segue-se a comitação dos dados introduzidos, interiorização de novos processos e interligação dos mesmos com os já implementados anteriormente em verificação de compatibilidades e ajustes de funcionamento. Por fim, a publicação dos resultados, transmissão de novos processos, fruto da interacção de todos os elementos, em usufruto da própria máquina.

O design é puro embelezamento externo que esconde e disfarça o código que só poderá ser desvendado pelos seus criados e intervenientes.

Apesar da funcionalidade operacional se verificar, por vezes apenas o código nos poderá revelar a complexidade das acções que tais operações despoletam.
As cicatrizes dos erros forçam as máquinas a esforços extras para atingimento dos objectivos.

Mas o fim é o mesmo para todos e o objectivo será sempre o de seremos felizes!

Process» Check» End» Online

28 de fevereiro de 2009

VERDE!

Verde que chilreia, castanho que pulula, azul que me cobre e laranja que já se despede.

Aqui, cheira-me a paz!

Respiro as ondulações verdejantes e contemplo as pegadas suaves no pasto.
Como é belo este pousio. Que se agitem outras terras enquanto, aqui, florescem as novas cores que já se avistam a desabrochar. O vento balança-me os caracóis com suaves beijos aquecidos pelo sol que se demora mais um pouco em contemplação de menina que o encara de olhos serenamente fechados.

As árvores abrem os braços, despojadas de seus ramos em recente poda, e parecem querer adoptar-me com carinho. As giestas amarelam pelos caminhos e eu sinto o seu cheiro ao calcorrear as vielas de bicicleta.

Cá, neste adro de 1881, descanso as pernas e me despeço do sol de hoje.
Tão simples é a felicidade quanto é a natureza. É deixá-la seguir o seu rumo, aceitá-la com um sorriso nos lábios e respirar a nossa breve existência com sentimento.

Pussos, 23 de Fevereiro de 2009

22 de fevereiro de 2009

Mais uma das minhas viagens a lugar nenhum!

Decidira tirar um dia para si mesma.

Por mais amor que sentisse para com todos aqueles de quem cuidara incondicionalmente durante anos, o seu coração apertado e vazio gritava mais alto e pedia-lhe, suplicava-lhe, que desatasse a correr até chegar a um campo verde onde fosse capaz de respirar apenas as suas próprias necessidades.
A sua mente exausta se encontrava e nada mais era capaz de replicar, muito menos comunicar. Os processos levantavam demasiadas questões, robóticas acções de comunicação para alguns que para ela se haviam tornado em processos estatalmente burocráticos.

O mundo tem acelerado cada vez mais nas últimas décadas. A força da tecnologia e da informação tornou-nos conhecedores precoces da nossa insignificância.
A maturidade só depende da nossa força de vontade de usufruto desta sabedoria ao nosso dispor. Idade já não é expoente de sabedoria. Essa viverá em quem a acolher e receber com humildade. É preciso distanciarmo-nos da velocidade dos anos e focarmo-nos na nossa paz de espírito. Hoje em dia, a pressão é ainda mais precoce. A sociedade distingue-nos, separa-nos, cataloga-nos e atira-nos aos lobos sem piedade. Mas as escolhas feitas durante o processo da nossa própria criação foram exclusivamente nossas, não hajam dúvidas e não se façam conspirações em protecção da vítimização dos fracos.

A nossa era é mais directa, os processos de crescimento são mais intensos e as mudanças tanto biológicas como psicológicas são mais fortes. Aceitarmos os nossos erros e defeitos sempre foi sinal de sabedoria. Mas as revoluções fizeram-nos querer sempre mais, tornaram-nos cada vez mais sedentos, ambiciosos e cientes das nossas possibilidades. Já não nos retemos na conformidade. A idade já não é nem deverá ser nem causa nem consequência para a inércia, como desculpa para não nos corrigirmos. É bonita a aceitação de nós mesmos e dos outros; mas a evolução é nada mais que inevitável e espreita a cada novo nascimento.

Vestiu o que de mais confortável encontrou. Um vestido de algodão que lhe tirava dez anos de cima e a levava de volta à sua ingenuidade perdida. Estava decidida a passar um dia inteiro no meio de multidões consigo mesma, apenas. Iria passear pela cidade como nunca o fazem os que a viram nascer e os que sempre lá viveram.

Caminhava quase como que hipnotizada pelos seus próprios pensamentos. Perguntava-se mil coisas e respondia-se sem preconceitos, como nos é apenas genuinamente possível fazer connosco mesmos.

Era reconhecível a emergente e imperativa necessidade de fazer um backup e formatar o disco operativo. Precisaria de tempo para renistalar todos os programas necessários e para levar a cabo todos os upgrades pretendidos, de forma a poder voltar a funcionar racionalmente e poder, quem sabe, talvez, adquirir novas funcionalidades ou até novo software que a dotasse de mais ligeireza nos movimentos.
Seguia a pé pelo meio das gentes, agora já se rindo da sua própria analogia.

Apanhou o comboio e reentrou num mundo paralelo que bem conhecia, mas do qual a memória já havia sido zipada. Tinha-se tornado num daqueles ficheiros que sabemos ter guardados, mas aos quais não acedemos por já se encontrarem em formatos de arquivo que exigem tempo e atenção que não conseguimos dispensar diariamente.

No comboio, as pessoas lá se encontravam paradas no tempo. As que olham através dos outros e nem se interessam por tal espaço temporal. As que usam tal espaço como sala de espera, ensaiando as suas acções e pensamentos futuros. As que simplesmente dormem no seu processo. As que vivem para tal momento onde não deixam escapar vivalma, analisando todos os seres, que partilham o mesmo espaço, da cabeça aos pés. E ainda, os que transparecem estar a questionar-se da mesma forma que ela o fazia.

Em tantas viagens já se tinha aventurado em tal comboio, que certa era a sua encarnação em todas essas personagens. Conhecia-as bem e de todas, ou seja, de si mesma já se havia rido.

No entanto, naquela manhã, nenhuma delas lhe despertava mais atenção que o mar que acompanhava a linha apaixonado pela areia que abraçava docemente.

Desprogramar e instalar novo sistema operativo, Meditando!

O pensamento positivo não se alcança com passividade nem credulidade idiota e fé inabalável, pois a única certeza possível é que essa mesma poderá ser abalada a qualquer instante. O conhecimento faz parte da evolução e certezas nunca serão certas até ao fim dos nossos dias. Ser optimista é saber viver o momento e “ver o copo meio cheio em vez de meio vazio”, ao contrário de contemplarmos os “copos” dos outros, deveremos saborear a água do nosso!

Os pensamentos negativos geram emoções desagradáveis e, perante elas, o nosso sistema simpático activa-se para se defender a nível hormonal e imunitário injectando no sistema secreções de adrenalina e de cortisol (os flashes repetidos de adrenalina deterioram o sistema cardiovascular e o cortisol afecta o sistema imunitário). Anti-vírus inato à condição humana, adquirido com o sistema logo à nascença! Estas emoções e seus efeitos no nosso corpo são mais perigosos do que se pensa e poderão gerar ou despoletar doenças crónicas de stress e ansiedade que só mais tarde se identificam.

No entanto, e como seria de esperar, o contrário também se verifica e é real, devendo, por isso mesmo, ser aproveitado por nós, seres humanos supostamente inteligentes, para a melhoria da nossa condição humana e terrena. As emoções agradáveis despoletam um ciclo biológico que estimula mecanismos de “reparação interna”, de recuperação e descanso do corpo. Logo, deveríamos aproveitar tal informação e estimular o nosso próprio bem-estar, ao invés de reforçarmos a nossa depressão, mergulhando nela em auto-comiseração.

Não existe transfiguração mais incrível deste facto que a incrível terapia verificada a partir de um placebo, nada mais representando este que pensamento positivo e injecção de boas químicas no nosso próprio corpo através do estímulo do nosso próprio cérebro. É o pozinho perlimpimpim de que todos precisamos para sermos felizes e é incrível como ele só depende de nós mesmos para se transformar e magia real. Não deixa de ser verdade que o prazer e o bem-estar é mais facilmente impulsionado pelo amor que recebemos do mundo, mas o verdadeiro amor e bem-estar do qual poderemos usufruir está dentro de nós mesmos, querendo com isto dizer que é preciso darmos para recebermos em igual e notória proporção.

Portanto, toca a animar e a sorrir para aumentar os níveis de dopamina (neuromediador do prazer da acção) e de serotonina (neuromediador do prazer da relação). Cada um deverá estimular o que mais lhe apraz fazer. No meu caso, cá escrevo que nem uma doida. Escrever faz funcionar o hemisfério esquerdo do cérebro, o da racionalidade que gera emoções positivas. A esperança é uma necessidade colectiva e universal e um fenómeno contagioso, pelo que espero contagiar os que me acompanhem no aglomerado de letras que compõem as minhas ideias e as apresentam ao mundo!

Fica, então, um Lição Zen do intérprete oficial do Dalai-Lama Mathieu Ricard:

"O que guia os seguidores do budismo é a confiança na possibilidade de transformação que há em cada ser humano, através da meditação. No ocidente, para trabalharmos a beleza física podemos estar horas num apartamento a pedalar numa bicicleta que não vai a parte nenhuma, mas nunca pensamos em utilizar essa energia para transformar o espírito. A meditação não é apenas para orientais. Esta técnica ajuda a reduzir o stress, a evitar a ira e a ansiedade. Vinte minutos por dia para adquirir uma força interior; uma forma de gerir as emoções que tornará mais suaves as restantes 23h40 do dia. Existem exercícios que funcionam para toda a gente e que se baseiam no treino da atenção. A observação do sopro da respiração que vai e vem, a concentração do espírito nesta sensação. Graças a este tipo de treino, o espírito fica mais calmo. O problema é posicionarmos sempre as nossas esperanças no que é exterior a nós mesmos, pensamos que se tivermos “tudo aquilo” seremos mais felizes. Como se o universo fosse um catálogo dos nossos desejos ou se o essencial estivesse fora de nós. Outro obstáculo é o egocentrismo: sem altruísmo não há autêntica felicidade. Um dos objectivos da meditação é justamente destruir o egoísmo, cultivar o amor pelos outros e abrirmo-nos à compaixão. Sem afecto, sem amor altruísta e sem equilíbrio emocional, estamos mal posicionados na existência."

Canalizemos as boas energias e expulsemos as más, respondendo com amor.

LUVDAWORD=LUVYOURSELF

30 de janeiro de 2009

Negamos com a ajuda de um verbo auxiliar...

Relembro Proust que, numa inesquecível passagem do seu livro “Em busca do tempo perdido” descreve a sala de jantar do Grande hotel de Balbec “como um imenso e maravilhoso aquário diante do qual, numa parede de vidro, a população laboriosa de Balbec - pescadores e famílias de pequenos burgueses - invisíveis na sombra, se esmagam contra a vidraça para se aperceberem da vida luxuosa dessas pessoas tão extraordinária para os pobres como a dos peixes mais estranhos” (tradução por mim feita às pressas em ânsia de transmissão da ideia). Nesta passagem, descreve, este mestre da escrita, a incrível discrepância que sempre existirá neste mundo inevitavelmente material.

Crise? Isso só existe para alguns! É tão simples como isso. Nada existe de complexo em tal conclusão, sempre o mundo irá girar desta mesma forma e serão sempre os mesmos a carregar às costas o mundo, para que este continue a girar.
Pobres, sempre nos agarramos à ideia de que o dinheiro não traz felicidade.

Acreditemos nisso, sempre, para não chorarmos o dia todo…

Ironias à parte, a verdade é que a necessidade traz força, impele-nos para a luta e essa só nos poderá presentear com auto-realização e orgulho. Por poucos que sejam os passos que dermos, o esforço que invocamos para a sua realização será imensurável e trará nada mais que ainda mais força para lutarmos contra as injustiças que se atravessarão no nosso caminho até ao nosso último suspiro. Esta é a vida de um não rico, de pessoas que enfrentam desejos não realizados diariamente, insatisfações de desigualdade, frustrações de incapacidade de posse, etc… Ninguém poderá estar, em situação alguma, plenamente realizado e é aqui que nos apercebemos da existência de realidades diferentes. Não me arrependo de ter nascido deste lado do vidro, pois parece-me que o meu coração é maior e, sem dúvida, mais forte.

Esta chamada “crise” que atravessamos atinge o ego dos portugueses que haviam acreditado ter poder de compra, que haviam acreditado fazer parte de uma União Europeia desenvolvida e repleta de oportunidades e desenvolvimento. Deixemo-nos de ilusões ridículas. Os que sempre tiveram vida exacerbada, posses avultadas e subsequente falta de senso comum, são ainda os que assim continuam e perduram. Esses, jamais saberão o que é a crise, apesar de gritarem aos quatro ventos que “agora isto está muito mau, está tudo muito caro… mas sim, fui ao teatro; sim, já vi esse filme; sim, é claro que tenho umas calças dessas; sim, é claro que vou comprar as sandálias mais in, sim, é claro que arranjo as unhas no cabeleireiro todas as semanas, sim, é claro que vou jantar fora convosco…etc”. Por favor…

Percebo o direito de posse que adquiriram, seja por “osmose” ou por trabalho árduo. Nada apresento contra tais vidas, que não a minha, pois a ela não tenho direito e da mesma não tenho conhecimento. Nada me indigna na ostentação das suas posses, pois de tais posses não sinto necessidade e em nada afecta a minha relação diária com tais pessoas, que evidentemente muito me oferecem e muito me ensinam. Dois lados opostos que se completam, em inevitável necessidade mútua. No outro extremo, o que gasta uma nas unhas todas as semanas paga o pão e os iogurtes para os filhos durante uma semana e as calças de um pagam a água e a luz de um outro. Inevitável, esta diferença de realidades.

Com tais constatações, apenas desejo salientar objectivamente que existem diversas e variadas noções da realidade, nomeadamente essa denominada de crise. Enquanto para alguns é sinónimo de menos compras, posses e actividades recreativas, para outros é sinónimo de falta de comida na mesa, noites de insónia em desespero de futuro incerto e contas para pagar com saldo negativo, o mesmo quer dizer com dinheiro que não temos e que teremos de pagar com juros. Alguns nunca se aperceberão de que o dinheiro também se compra, e bem caro que este é.

A consequência mais injusta de tal crise não é a falta de bens mas sim a diferença entre os diferentes estratos sociais e a indignação que esta nos causa. A revolta, a incompreensão e os actos a que nos impelem tais sentimentos são sua a verdadeira consequência. O aumento da criminalidade, consequência directa de tais sentimentos, alia-se ao sistema educativo português que com o seu grau de sucesso inigualável nos surpreende. Eu, pessoalmente, surpreendo-me bastante ao dialogar ou tentar estabelecer diálogo, é mais o caso, com adolescentes activamente cativos de tal sistema. Fica sempre a estranha sensação de que todas as salas de aula decerto estarão equipadas com um televisor com “Morangos” a bombar injecções estereotipadas de realidades inexistentes e que tão ingenuamente assimilam os nossos jovens sem qualquer problema. Ou isso ou os alunos passam os 50 minutos de aula com os phones na tola e o acenar de cabeça ao qual os professores acedem, prolongando o seu monólogo com estupidificante contentamento, não passa do espasmo hipnótico que a música lhes provoca.

Felizmente, sempre existirá a excepção. Apesar de por aí andar escondida, acredito na sua existência e nela vou apaziguando as minhas frustrações. Voltemos, então, ao que me levou a escrever o título, primeira frase que despoletou tantas outras atabalhoadas. Tal denominada crise nada mais representa que mais uma volta na espiral interminável e cíclica, controlada pelos governos e sistemas mundiais, consequência de sistema governante desde o inicio dos tempos; fosse esse monarquia, ditadura, comunismo ou república. Com isto, relembro apenas que Portugal já conheceu crises muito mais tristes, em que poder de compra não tinha significado mais extenso que possuir um isqueiro, um colchão e umas mudas de roupa.

Sem querer entrar num debate que aqui não tem lugar, admita-se que o dinheiro faz parte dessas “imoralidades necessárias” a uma sociedade na condição de o seu reinado ser obstruído e controlado. Desconfiemos, portanto, e em igual proporção, de quem apregoe desdém por tal bem material. Não me visto de cinismo, quem me dera ter dinheiro! Este permite, ainda, aos não aderentes, sobreviverem no exílio, nos seus refúgios. Dinheiro compra muita coisa… nem que seja privacidade e fuga às pressões psicológicas do ciclo que ele mesmo gera. O sistema é inevitável, atinge todas as almas e mesmo as perdidas pagam o tratamento.

Não tenciono espalhar a minha pobreza com orgulho. Não sou apologista de extremismos nem ideologias de ataque crítico incessante. Relato apenas as diferentes realidades existentes e a sua notória interacção, que se verifica com o crescente contraste criado pelo buraco deixado a par da extinção da classe média. Sem querer desagradar aos seus detractores, afirmo apenas que a indecência do dinheiro não reside na sua existência mas sim na sua raridade; na forma insolente como é confiscado por meia dúzia de auto-intitulados senhores do mundo. (Um pressentimento desagradável adverte-nos, ainda que ideia louca minha, que a pobreza nos países desenvolvidos talvez nunca venha a ser vencida porque os ricos não têm necessidade dos pobres para enriquecer. Para isso, exploram já metade do mundo que vive em verdadeira, essa sim, Crise constante sem terem direito a sequer a pátria, que desde sempre se desenhou em prol de alimento de outra civilização qualquer distante.)

Devemos, portanto, voltar a cheirar a sabedoria dos Antigos e admitir, como Aristóteles, que a beleza, riqueza e saúde são igualmente acessórios úteis e válidos para uma boa vida. “Ninguém condenou a sabedoria à pobreza”, dizia ainda Séneca…
Ironia do destino é verificarmos que são os que menos têm que mais valores dão aos bens imateriais, esses que deveriam ser sempre os mais importantes. Já dizia a minha avó que o que não nos mata, torna-nos mais fortes. A minha mãe acrescenta sempre que não mata, mas mói. Fruto do que vivemos e experienciamos, cá nos vamos compondo de aprendizagens. Não sou perfeito espécime que se possa intrusar em sociedade endinheirada (ou aparentada de tal), mas sei que não o quero ser e isso serve-me de consolo ao meu ridículo estado de pobreza.

Não é que necessitasse de tais tempestades, mas decerto me irão ensinar a navegar melhor!

A família e os amigos são a verdadeira e única riqueza que perdurará e poderá fazer de nós ricas pessoas. Cultivemos, então, esse jardim, com amor! Esse que todos temos dentro de nós!

Obrigada a todos os que me amam!
Espero conseguir retribuir-vos sempre de braços abertos!

23 de janeiro de 2009

Loucura!

Erasmo foi um “Louco” do seu tempo. Um irreverente, sarcástico e ambicioso homem, cheio de vontades e ideias que não prendeu dentro do espírito. Revoltou-se contra os “bárbaros” do seu tempo e no papel carimbou as suas insipiências nas andanças revolucionárias da sua época! Foi um dos grandes humanistas do Renascimento, pelo seu saber clássico e universalidade de espírito. "Elogio Da Loucura", é um livro imprescindível numa imaginária estante que um dia cultivarei com tanto amor como o jardim que poderei amar pela janela da biblioteca dos meus sonhos!

"Elogio Da Loucura" é um ensaio (tipo de escrita que domina as minhas predilecções de leitura) escrito em 1509 por Erasmo de Roderdão. Este livro foi um dos catalisadores da Reforma Protestante - movimento reformista cristão iniciado no século XVI por Martinho Lutero que, através da publicação das suas teses, protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica, propondo uma reforma no catolicismo.

O livro começa com uma sátira tornando-se, depois, mais sombrio por meio de orações onde revela a loucura em auto-depreciação. Loucura personificada, mas que representa nada mais que a dúvida de nós mesmos como pessoas, como seres, como veículos e como peões nunca totalmente cegos. Erasmo descreve e apresenta uma sátira dos abusos supersticiosos da doutrina católica e das prácticas corruptas da Igreja Católica Romana e termina o ensaio com um testamento emocionante dos ideiais cristãos.

A Loucura compara-se a um dos deuses, filha de Plutão e Frescura, educada pela Inebriação e Ignorância e apresentando como companheiros fiéis Philautia (amor-próprio), Kolakia (elogios), Lethe (esquecimento), Misoponia (preguiça), Hedone (prazer), Anoia (Loucura), Tryphe (falta de vontade), Komos (destempero) e Eegretos Hypnos (sono morto).

Loucos somos todos. Diariamente, exteriorizamos a nossa criatividade, ousadia, desejos e inconsequente ou subsequente loucura... Mudamos o mundo com os nossos olhos!
Quem censura a loucura enterra obras por ler e deita fora outras que poderia, por elas inspirado, escrever e encerra portas aos noviços em recusa de partilha de conhecimento.

A verdadeira loucura talvez não seja mais do que a própria sabedoria que, cansada de descobrir as vergonhas do mundo, tomou a inteligente resolução de enlouquecer!
Obstinação e calor na argumentação são provas seguras de loucura. Há lá alguma coisa tão teimosa, desdenhosa, contemplativa, grave e séria, como um burro?


Cá humildemente me declaro sedenta de conhecimento. Longa estrada terei de percorrer para poder delinear conclusões e verdades como filósofos como Erasmo. Não me imagino, em ocasião alguma, poder firmar obra digna de contemplação, mas continuarei a divertir-me com as palavras e com esta dita escrita sentida.

Doce Rotina, essa a da Loucura do Mundo!

Quem sabe hoje, amanhã e talvez ainda eternamente nos questionemos sobre as loucuras da alma. Interminável é a procura de justificações.

Todos encerramos em nós pedaços esquecidos de loucuras. Esses, fugazes sonhos inconcretizáveis ou incompreensíveis ímpetos, que vamos aglomerando em espaço reservado e de difícil acesso. Optamos, muitas vezes, pelo silêncio em benefício primário de nós mesmos. Baixar a cabeça representa nada menos que falta de coragem, mas admito que se envolve em sensatez e sentido de segurança. É instinto animal que nos faz fugir ao sofrimento e nos mantém na linha da mediana e aceitável estabelecida normalidade.

Agradeço a todos os loucos, que se insurgiram contra o estabelecido (ninguém nunca chega a saber bem por quem….) que nos presentearam com tais ensaios, teorias, artes, demonstrações de carácter, etc. São esses que preenchem a nossa História como humanidade. Foram esses que nos impeliram a evoluir, descobrir, aceitar, rebelar.
E.U. – Especial e Única como Tu!
WE ARE ONE, WE ARE ALL!

21 de janeiro de 2009

Saudade!

Saudade é rasgo de alma, falta de pedaço de nós mesmos que sabemos pertencer-nos mas que não se acusa fisicamente no momento.

Palavra incrivelmente genuína e portuguesa, essa sem tradução literal em tantas outras línguas. Provém do latim "solitáte", solidão. Mas não é o mesmo que solidão, porque não implica que não estejamos bem com o mundo e com a pessoa ou objecto da nossa saudade.

Dita a lenda que terá sido cunhada na época dos Descobrimentos no Brasil, utilizada para definir a solidão dos portugueses numa terra estranha, longe dos seus entes queridos.

É definida como a melancolia causada pela lembrança; a mágoa que se sente pela ausência ou desaparecimento de pessoas, coisas, estados ou acções. No entanto, para mim, também não é melancolia, pelo facto de não se associar necessariamente a algo que não voltemos a sentir ou reencontrar, antes apenas a algo que amamos e desejamos repetir em acção e sensação.

Bela é a sua fonética e triste a sua sensação que nos faz correr rios de lembranças pela face em simultâneo, ainda que subtil, sorriso incontrolado.
Inequivocamente, como seres sociáveis que somos, é-nos impossível não nos apegarmos uns aos outros. No entanto, e sem qualquer dúvida, a alguns associamo-nos com intensidade estranhamente destinada, sem explicação que não soe a obtusa lei imposta pelos que não se aventuram no desconhecido sem intenção de afirmação de si mesmos. São essas associações e partilhas que, de tão genuínas, nos enchem a alma de SAUDADE!

Não tenciono nem necessito de me provar ao Mundo e a ele me dou sem que o mesmo me tenha de retribuir algo. A dádiva de nós mesmos aos outros é acto unicamente humano, pelo que acredito na plena sensação de genuinidade ao fazê-lo sem intenção medíocre preenchida de nada mais que puro egoísmo.

Pedaços de mim mesma, por mim atirados aos ventos, agarrados com paixão pelos que me tocaram, roubados sem que por eles reclame, na esperança de um dia receber um pedaço de alguém com sabor a genuíno abrir de alma, liberto de obrigatoriedades de pertença e repleto de incondicionalismo.

Saudade é sentimento constante, que nunca se perde. Quando se ama alguém ou algo, jamais poderemos extinguir a saudade que nos assolará na sua ausência vezes sem conta até ao final dos nossos dias. Talvez advenha desta conclusão, a expressão “matar saudades” que nos satisfaz um desejo de reencontro connosco mesmos; ao nos cruzarmos com esse pedaço de nós mesmos que deixámos colados a alguém ou a algum sitio. A satisfação de tal necessidade causa-nos prazer tal que amanhã a saudade só poderá ser maior ainda.

Logo, amigos, a Saudade não é mais que uma bela Ressaca! LOL

A palavra portuguesa "saudade" foi considerada como o sétimo vocábulo estrangeiro mais difícil de traduzir, segundo uma votação realizada por mil linguistas, levada a cabo pela agência londrina de tradução e interpretação Today Translations:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u398210.shtml

A mais votada foi "ilunga", de uma língua falada numa região da República Democrática do Congo e que significa "uma pessoa que está disposta a perdoar qualquer abuso pela primeira vez, a tolerar uma segunda vez, mas nunca uma terceira vez". Incrível, a mensagem veiculada numa só palavra!

Em quase todas as línguas existem formas de exprimir que se sente falta de alguém ou de algo, mas a palavra como nome, substantivo, sentimento, raramente é expressada linguisticamente como no Português. Na gramática, Saudade é substantivo abstrato, tão abstrato que só existe na língua portuguesa.

Espanhol: soledad
Catalão: soledat
Galego: morriña (saudades de casa)
Romeno: Dor (A nossa dor, foneticamente em romeno diz-se: Dorere)
Italiano: mi manchi ou Ho nostalgia di te
Inglês: Missing or longing
Hebraico: Diz-se :ga-agua, e no plural- saudades-- ga-agu-im
(mas as letras sao diferentes do portugues)
Francês: Manquer
Alemão: ich vermisse dich (tenho saudades tuas)
Crioulo de Cabo Verde: Sodade

Todas estas expressões estrangeiras não definem o que sentimos. São apenas tentativas de determinar esse sentimento que nós mesmos não sabemos exactamente o que é. Não é só um obstáculo ou uma incompatibilidade da linguagem, mas é principalmente uma característica cultural daqueles que falam a língua portuguesa.

O fado e a saudade são rasgos da língua, portanto, e não dos povos ou das pessoas: é algo que só a língua portuguesa nomeia, e essa designação descreve um sentimento complexo, por vezes fatalista e por vezes melancólico. A linguagem é criadora de realidades. A linguistica é gerada por épocas, vivências, e sentimentos partilhados por uma nação.

Saudade é um registo fiel do passado. É a prova incontestável de que tudo o que vivemos ficou impresso na nossa alma. Ao confessarmos uma saudade, na verdade, vangloriamo-nos de que, ao menos uma vez na vida, conhecemos pessoas e vivemos situações que foram boas, e que a sua lembrança será eterna. Nutri-la, é alimentar o espírito e a própria existência.

Acredito que sentir saudades é sinónimo de viver, de nos darmos ao mundo, de termos lembranças que valem a pena recordar. Eu recordo as minhas com grandes sorrisos, sempre.

Não obstante as mil saudades que mais guardo dentro de mim, cá me confesso como pronta a criar novas saudades que me preencham o coração e a alma mais um pouquinho!

Fica, por fim, uma citação de um dos meus escritores preferidos:
Em “O outro pé da sereia”, o moçambicano Mia Couto escreve:
“A saudade é um morcego cego que falhou o fruto e mordeu a noite”!