30 de janeiro de 2019

Sem esperança nada vale a pena

Se não me levanto, não vivo.
E o que se quer é viver todos os dias, cada momento.
Por isso forço-me a voltar a levantar todos os dias para viver o melhor que posso.

https://www.powerofpositivity.com/why-you-should-wake-up-early/

Hoje fui com o Nuno levar as minhas filhas à escola. Parece algo trivial, mas não o fazia há mais de um mês e foi bom sentir as pessoas, o espaço, a alegria das miúdas.
Sentir normalidade.
Estou finalmente a recuperar da cirurgia à coluna e já caminho sem dores.

É claro que foi necessária uma catárse, faz parte. Se sentimos dor e sofrimento devemos exteriorizar e deitar tudo cá para fora (como aconteceu no post anterior). A vida é feita de altos e baixos, faz parte.
Todos temos momentos em que o melhor a fazer é chorar, gritar os céus, espernear e depois sorrir, levantar e continuar a caminhada.

https://provocacoesfilosoficas.com/4988-2/

Eu cá estou pronta para continuar a lutar e não vejo outra opção senão essa.
Se cá estou é para viver, lutar e mexer.
E levantar, todos os dias, mais uma vez.
Para ver os meus filhos sorrir, para acariciar os meus cães, para me olhar ao espelho e sentir a força de estar viva.

Levanta-te e vive!
😘😘



24 de janeiro de 2019

Natal da mãe

O Natal sempre foi a minha época do ano preferida. Sempre fui uma fanática, da decoração, das comidas, do convívio e de ver os meus filhos abrir as prendas.

Este ano as decorações ficaram até à semana passada. Fisicamente não estava muito capaz de as tirar e ninguém comentou o facto de as termos ainda.

Decidi, uns dias antes da cirurgia à coluna, arrumar tudo. Sempre fui eu a arrumá-las com carinho e seria eu este ano também.

Foi o dia mais difícil deste ano, serviu de catárse. Passei horas a tirar tudo devagar devido às minha condição física e chorei a alma...
Não sei se vou estar cá no próximo Natal e é duro viver sem futuro. Imaginar o Natal dos meus filhos sem a mãe é muito difícil.

Guardei os enfeites da nossa árvore, que nos acompanhou estes anos todos. Todos os anos, são adicionados novos enfeites feitos pelos meus filhos na escola. Lindos, uns de barro, outros de lã, cartolina, etc...

Depois de despida a árvore ali ficou nua, como eu, desprovida de adornos e de um futuro...
E ali teve de ficar porque não tinha capacidade física para a desmontar.
E assim passei a tarde a chorar e a olhar para a pobre árvore.

Decidi então, encomendar online, as prendas dos meus filhos para o próximo Natal. Foi a minha forma de lidar emocionalmente com a situação.
É fazer o que estiver ao meu alcance para lhes deixar o máximo do meu amor.

Hoje fomos levantar as prendas na loja.
A senhora estava espantada com tanta coisa (também comprei as prendas de anos... Queria garantir que tinham as prendas da mãe este ano). Eu expliquei a situaçāo e a senhora embrulhou carinhosamente tudo e etiquetámos.

Senti-me mais leve ao chegar a casa.
É dificil viver com esta doença e eu vou lidando como posso.

Feliz Natal a todos😘.


Mónica.

3 de janeiro de 2019

Dignidade

Não fazia ideia do que 2019 me traria...
Não fiz planos nem listas nem tenho grandes desejos, além de cá estar se possível.

Nestes primeiros dias do ano é normal vermos nas redes sociais o balanço que as pessoas fazem do seu ano e sentirmos a esperança que depositam no novo ano.
Lemos os seus desejos e promessas de mudanças, as suas "wish lists, "changing plans", etc...

Nada contra. Acho fantástico, e normalmente são as partilhas mais genuínas do ano que se lêem.
O momento em que realmente a pessoa parou, analisou o seu percurso e tenta ver onde pode melhorar ou para onde quer seguir.

O problema é voltarmos demasiado cedo à rotina, aos maus hábitos, não nos libertarmos logo do que nos faz mal iludindo o cérebro com os adiamentos das pequenas mudanças que nos fariam tão bem... E depois o tempo vai passando e começamos a achar que se não tivemos a coragem no início do ano, não temos o que é preciso e voltamos a adiar...

Viver não pode nem deve ser tão complicado e ser feliz muito menos. Devia ser fácil.
Não te subjuges, dá-te o mérito que mereces, utiliza o teu poder de opção, de escolha e se possível ajuda os outros no caminho.

Cá por casa o ano começou em grande downhill com declive vertiginoso para toda a família, mas eu já vou a meio da descida e não tenho como travar a mesma.

Após estes meses de tratamento, fiz uma Pet que revelou a não resposta do meu corpo à doença, o cancro não regrediu e o meu corpo não ganhou terreno nesta batalha já considerada injusta e imparcial desde a casa da partida...

Mas a dignidade, o respeito e a valorização da minha pessoa como ser merecedor foi o melhor início de ano possível.

Ontem houve reunião multidisciplinar sobre o meu caso na Fundação Champalimaud e soube hoje que a equipa médica não desistiu de mim e não pretende render-se tão cedo.
O meu 2019 terá amor e dignidade, e quantas pessoas não podem dizer o mesmo...tão injusto que é este mundo.

Obrigada à equipa da clínica da mama do Champalimaud e em especial à Dra Luzia e Dra. Helena que tanto contribuíram para a minha dignidade estes meses.

Feliz 2019!