24 de março de 2017

Nem espirros nem tosses cá em casa!

Esta manhã, ao entregar a minha mais nova de 3 anos na creche, a auxiliar que a recebeu perguntou-me se havia algum recado de doença, virose ou febre. 
Esta semana já me havia perguntado o mesmo várias manhãs, mas só hoje me apercebi que, de facto, esse era até ao ano passado o meu dia-a-dia. Com 3 filhos em casa e as duas mais novas na creche, estava sempre alguém doente e além de estarmos sempre no médico a enfiar antibióticos às crianças, também apanhávamos as suas viroses e gripes. Era uma festa constante…

Vim para casa a pensar o que terá mudado este ano. Apenas uma das minhas filhas esteve doente da garganta em Novembro e até hoje nunca mais se ouviram espirros nem tosses cá em casa. De facto, e quem tem filhos pequenos percebe o que digo, isto é um recorde incrível.

Pois bem… na verdade existem mesmo razões que contribuíram para tal. Com a minha doença, comecei a ser mais alerta e a fazer mais pesquisa sobre o que consumimos e foram bastantes as alterações cá em casa.

A primeira mudança foi o pequeno-almoço. Mesmo que existam alguns dias em que se deixe comer coisas menos boas, o que interessa é alterar a ingestão constante de alimentos processados. Sumo natural, ovos mexidos com Moringa e vegetais e frutinha. E todos vão aderindo aos poucos.

Depois, foram os lanches que vão para a escolinha. A minha Ema bem me diz que os amigos levam sempre os palitos da vaca que ri e os pãezinhos processados com pepitas de chocolate… temos pena… e ela já se habituou ao seu lanchinho. Leva sempre pãozinho do dia com doce preparado em casa, fruta, bolachinhas feitas pela mãe e um iogurte. O iogurte é o menos saudável, mas lá lhe cedo alguma coisita ;)
A Noa também leva um iogurte para escola, biológico e ela adora.

Outra grande alteração de hábitos cá em casa foi a ingestão de leite. Eu não bebo leite há mais de 10 anos, mas os meus filhos e marido ainda o consumiam. Felizmente, já não se consome leite de vaca cá em casa há mais de 8 meses. O meu mais velho foi o que torceu mais o nariz, mas quando lhe expliquei como é obtido o leite, como sofrem os animais e como não é nada saudável, ele aderiu com a consciência tranquila e um sorriso na cara.

Ao nível global, tentamos não comprar comida processada e produtos biológicos. E tentamos comer coisas da natureza, naturais… e fugimos das farinhas de trigo processadas também.

Por fim, também alterámos vários produtos de higiene cá em casa. Não se usam géis de banho com cancerígenos, tenho feito o meu gel de banho com uma base biológica e faço os meus sabonetes. E o champô e o creme para o corpo também é biológico. 
Existem muitos websites onde podemos comprar bons produtos e a questão monetária já não se justifica hoje em dia. Sinceramente, parece-me uma desculpa esfarrapada para gente preguiçosa que não percebe que mudar de hábitos pode mudar a sua saúde e contribuir para indústrias mais amigáveis. Eu sei que não posso comprar tudo biológico, eu sei que não é assim tão barato. Mas é uma opção de vida, são prioridades e escolhas que temos de fazer para nós, para os nossos filhos e para o planeta e o futuro da humanidade.

Para além da nossa saúde, existem muitas consequências para o planeta e animais na produção desenfreada que se faz atualmente de produtos tóxicos que, infelizmente, são utilizados e consumidos diariamente pela maioria das pessoas.

Não faz sentido não comeres carne, mas teres no teu wc gel de banho industrial e sabonete líquido para lavar as mãos … são feitos de gordura animal, vai dar ao mesmo.

Não estou a querer influenciar ninguém. Apenas quero dizer que é preciso estarmos mais informados sobre a origem e a composição do que consumimos. Como se produziram as coisas e o que foi preciso fazer para obtermos tal produto…

Espero continuar a fazer mais alterações e a passar bons ensinamentos aos meus filhos. 

21 de março de 2017

Vida após cancro

Fez, na semana passada, um ano que recebi o meu diagnóstico.

Lembro-me bem desse dia, mas não o quis assinalar oficialmente por não ser uma data que deseje relembrar ou marcar.

 Eu bem recordei, para mim mesma apenas, aquele dia. Mas às páginas tantas, parece que cada vez que nós, doentes oncológicos, falamos da doença; os outros já não querem ouvir ou fazem um esforço para o fazer. É claro que sei que não é por mal que o fazem, é apenas e simplesmente por quererem acreditar que foi apenas uma fase, já passou e agora querem ver-nos a sorrir e a continuar a viver, quase como se nada tivesse acontecido…

 Mas a verdade é que aconteceu, e muito. Há vida após o cancro? Claro que sim! Mas nunca mais será a mesma. E a principal razão disso, nem é o facto de sermos doentes sem qualquer previsão ou certeza do futuro, mas antes o que aquele dia nos fez… o dia do diagnóstico…

 Aquele foi o dia em que passei a minha vida em filme, em que analisei se fui feliz, o que consegui fazer, e acima de tudo, o que deixarei de mim para os que amo.

Tenho três filhos, e a verdade é que passei o dia a pensar o que seria da vida deles sem mim e o que poderia fazer já para lhes deixar o mais possível do meu amor e do meu afeto. Aquele dia mudou a minha pessoa para sempre. De certa forma, acordou-me do transe em que estava. Um típico ciclo de preocupações laborais, consumistas e fúteis em que nos embrulhamos sem percebermos bem como ou porquê.

Eu estava em casa, quando recebi o telefonema do médico. Quando ele acabou de falar e desliguei o telefone, aparentemente muito calma e educadamente, não sabia onde estava. A divisão levantou voo e deixei-me cair no chão. O mundo lá fora continuou a girar, mas eu… eu ali fiquei durante horas sem conseguir raciocinar corretamente.

Existem sempre coisas que gostaríamos de ter feito de forma diferente na nossa vida, mas o passado fez de nós o que somos e o que interessa é levantarmos e vivermos o presente. Nem sequer o futuro deverá ser razão para nos afundarmos em preocupações e ciclos de stress exacerbados, pois esse ninguém o conhece. É preciso viver o agora, aproveitar o que temos, amar os nossos e sorrir e dar ao mundo o melhor de nós.

Foi um ano muito duro, e muitas vezes eu me perguntei porquê, por não achar que o merecesse. Mas bem sei que a doença não escolhe carácter, indigna essa que colhe tantos corações lindos. E a luta ainda não acabou, os danos são reais e permanentes… e a dor é profunda e apenas percebida pelas colegas de luta – mãe, parceiras de tratamento, estranhos com quem partilhámos lágrimas no IPO…

Mas bonitas amizades surgiram entre tratamentos e desabafos, e crescemos com tudo isto. Enchemos o coração e seguimos em frente. Que a vida continua sim. Diferente, sim. Um sabor bem mais intenso, uma vontade bem mais real e um valor imensuravelmente mais bonito e significativo.

 Por isso, estou na minha varanda a beber um café ao sol e a ouvir os pássaros. E daqui a pouco vou buscar as minhas filhas à escola com um grande sorriso e dar-lhes um grande abraço, como se fosse o último ou o primeiro de muitos.

Venha mais um ano.

13 de maio de 2015

O que estamos a fazer com as nossas vidas? Que sentido tem este capitalismo? este consumo desenfreado? Esta vivência rotineira que estranhamente não se goza? Que se lixe isto tudo.... A vida não são dois dias, isso é bullshit completo... São muitos dias e anos que devem ser aproveitados... Por isso, cá vou embarcar numa nova viagem, caso contrário não estaria cá a fazer nada. Não fui feita para servir de robot... kiss, kiss.